~Fútil e Fragil

Estava permitindo-me esquecer-te, para aliviar a dor da ausência.

Permitia-me esquecer a cor exata dos teus olhos, o tom divertido e intenso da sua voz, sua pequenas ironias orais, corporeas…

Estava permitindo-me esquecer o sentimento, trancando-o no baú mais profundo da minha alma, privando o da liberdade até que se concretizasse sua presença.

Mas ao fazer isso eu esfriava a paixão, a desistensificava; ela, que é o melhor tempero do amor.

Péssimo caminho.

Resolvi, então,  adocicar minhas horas com suas lembranças, trazer sua presença ao meu hoje e agora. Me acostumar com a espera.

Não penso que esse meu ato foi errôneo.

Mas as consequências não foram benéficas à minha vida fora de você.

-Enquanto as pessoas falam e falam, a única voz que ecoa na minha cabeça é a sua-

“Estou com saudade.” É o refrão da música que agora a sua voz permitiu à minha mente compor.

Ignoro agora o sentido de estar aqui.

O presente aqui e agora é triste sem você.

Ah, quem me dera os valores da vida fossem unicamente os que fazem bem ao coração.

As regras de conduta da sociedade nada valem agora. para minha alma.

De que me servem o pudor e “honra” quando a alma já está entregue, perdida, vendida e roubada?

Fico destruída por dentro quando lembro que tudo o que levaremos para a eternidade serão os sentimentos, conhecimentos e ações para com o próximo.

Registro, 27 de maio de 2010*

*textos antigos e mágoas antigas, é nisso que dá arrumar o quarto.

O TEXTO SEM DE FATO INÍCIO, SEM DE FATO MEIO, SEM DE FATO FINAL. IMITANDO A PALAVRA.

(gra.fo.ma.ni.a)
sf.
1. Psiq. Compulsão patológica de rabiscar, de registrar graficamente, de escrever. 

O texto sem de fato início (porque sempre esteve), sem de fato meio(porque não se pode encontrar), sem de fato final (porque nunca acaba). Imitando a palavra.
A paixão. O ato sublime de euforia. O ponto final entusiasmado. Completo; A obra. O conto. O texto. O artigo. O livro. O personagem. O poema. O vício. Dentre tantas definições de escrever, não recairei no ato poético de que escrever é salvar a vida [como diria Lispector]. Escrever é uma doença. E das mais vertiginosas. Escrever é um vírus impossível de tratar, uma pandemia interna. Espalha-se por todas as alas do corpo. E Deus os acuda! Não, não significa que todos os dias, todas as horas, escrevemos, significa; que somos palavra e por ela vivemos. Palavra. Palavra. Palavra. Somos manifesto cultural, somos páginas e folhas. Somos letras que unidas formam a força; somos fortes e inapagáveis. Somos o que adentra o cérebro e de lá não sai. Queimem livros, queimem computadores, queimem textos. Não se queima a palavra; ela é o verbo, verbo que nunca se fez carne. Como queimar o imaterial? Dessa vida já queimamos (perdemos) muito, ou quase tudo. A casa de Machado se perdeu, a casa das palavras se perdeu, é preciso uma nova!; A casa dos Grafomaníacos. Uma casa inatingível. Onde não se chega, se é pego. De maneira que não se escolhe a gripe, não se escolhe ser grafo. Acontece. O máximo que se faz é facilitar; Na gripe, seja tolo, coloque mão na boca, esteja perto de doentes. Respire o ar dos febris. Troque conversa com os infectados. Na grafomania? O mesmo. Apenas não coloque a mão na boca, pois precisará dela pra falar. E da sua mão pra escrever. Um grafomaníaco não escreve e se cala. Ele primeiro grita –mesmo que internamente- pra depois escrever. E continuar gritando. Basta a primeira letra, a primeira palavra, a primeira linha, o primeiro parágrafo, a primeira fala. O primeiro devaneio. E tudo se faz; [sem ponto final]
A Palavra Eterniza! 
Tirei esse texto de um dos meus blogs Preferidos de Literatura: Literatortura
Siga também: @literatortura

~Todas

E se  eu quiser entrar pra Academia Brasileira de Letras?

Eu teria que ralar muito, lutar… Teria que cultivar a Loucura, Cultivando a Paixão sem amor. Ou um amor impossível, não correspondido.
Mas se eu quisesse ser dona de casa, ter filhos e um cachorro?
Talvez eu quisesse morar no campo, ou no litoral.
Você, onde estaria?
Você viria comigo cultivar a loucura abrasadora?
Ou me aceitaria como sua serva, protetora de seus herdeiros?
Não.
Penso que não.
Você não escolheu como companheira um ser submisso, um troféu, uma escrava de suas vontades.
Nem escolheu um ser fugaz, apaixonado e extremamente errante.
Pergunto me então: Por que me escolheu? O que te fez pensar que “era eu”?
Se você não escolheu a plena paz, nem a espiral de fogo e tormento, Porque escolheu tudo isso junto, lutando dentro de mim?
Porque escolheu a mim?
Porque roubou-me e com meu sangue assinou o contrato da fidelidade?
Sabes que não sou uma,
Sou muitas em um corpo só;
Corpo sofrido, amado, quente, vibrante.
Corpo que é seu, com qualquer uma das “EU” que assumir o controle do momento.
Poque todas elas você tem.
A todas você doma.
** Essa é mais um daqueles textos que eu escontrei em um caderno aleatório, enquanto arrumava meu quarto ^^. Nem eu compreendi o que passava em mim, Mas pelo menos hoje eu tenho as respostas pra todas essas perguntas.

~Dom Casmurro

Publicado em 1900, a obra é narrada em primeira pessoa. Temos a história de Bento de Albuquerque Santiago que, com cerca de 54 anos e alcunhado por Dom Casmurro, vive no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, no Engenho Novo, de forma quase reclusa em uma casa construída segundo os moldes daquela que fora a de sua infância, na Rua de Matacavalos.  Órfão de pai, criado com desvelo pela mãe (D. Glória), protegido do mundo pelo círculo doméstico e familiar – tia Justina (viúva), tio Cosme (advogado), José Dias (agregado) –, é destinado à vida sacerdotal, em cumprimento a uma antiga promessa que fizera sua mãe caso tivesse um segundo filho, já que o primeiro morrera ao nascer.

A proximidade, a convivência e a idade haviam feito com que os dois vizinhos e amigos criassem afeição um pelo outro. D. Glória, ao saber disto, fica alarmada e decide apressar o cumprimento da promessa. Bentinho pede ajuda a José Dias para impedir que D. Glória cumprisse sua decisão. Apesar de sofrer com a separação, a mãe envia o filho para o seminário.  No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar e tornam-se amigos e confidentes. Capitu, por sua vez, começara a freqüentar, assiduamente, a casa de D.Glória, começando uma afeição recíproca entre as duas

José Dias sugere a D. Glória que adotasse algum órfão e lhe custeasse os estudos, já que prometera a Deus dar-lhe um sacerdote, mas não este tivesse de ser necessariamente seu filho. Bento deixa o seminário.

Bentinho forma-se em Direito e casa-se com Capitu. Além disso, estreita a sua amizade com Escobar, que acabara se casando com Sancha, amiga de Capitu. O escritório de advogacia progride e a felicidade do casal seria completa não fosse a demora em nascer um filho. Isto faz com que ambos sintam inveja de Escobar e Sancha, que tinham tido uma filha, Anos mais tarde, do casamento de Bentinho e Capitu nasce Ezequiel.  Escobar, que gostava de nadar, morre e, durante seu enterro, Bentinho julga estranha a forma como Capitu contempla o cadáver. A partir daí, os ciúmes vão aumentando e precipita-se a crise. À medida que cresce, Ezequiel se torna cada vez mais parecido com Escobar. Bentinho, cego de ciúme, chega a planejar o assassinato da esposa e do filho, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem.

Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Ezequiel, homem formado, volta ao Brasil para visitar o pai. Este, simplesmente, constata a semelhança entre e antigo colega de seminário. Ezequiel parte para uma viagem de estudos científicos no Oriente Médio, já que era apaixonado da arqueologia, mas onze meses depois morre de uma febre tifóide em Jerusalém, onde é enterrado.  Bento isola-se e procura atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência.

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   I.A Verdade  

Capitu, o inesperado ser, não é o que o Casmurro nos conta? Antes de tudo, Ela é o que ele omite? Sua verdade está no que não sabemos? Sua fascinação reside na dúvida. A angústia por desvendá-la cresce pela nossa incapacidade de aceitar o silêncio, o enigma, o trágico em nós mesmos. Nesse jogo, que contrapõe verdade e aparência, Casmurro mergulha em pensamentos melancólicos com o intuito de afastar as inquietas sombras que o espreitam. 

Depois de sofrer perdas inesperadas, natural seria que o narrador tivesse procurado sarar as feridas causadas por sua existência dividida e atormentada. Mas o desespero em vez de provocar abatimento, torna-se despeito e, desvairado, conduz a assassinatos desejados. Sem falar no atentado literário, na potência literária, um livro transfigurado em ser. Casmurro derruba estantes do século XIX, XX, XXI,… 

Na escrita, a violência da denúncia é o que sepulta Capitú. Como contrapor desconfiança tão profunda? Que sentido haveria em tentar justificar o injustificável? De que forma seria possível recompor o que já foi? Diante do inominável Capitú se cala. E sua decepção irá mantê-la calada e altiva pelo resto dos tempos. Esfinge trágica. O inesperado ser emaranhou-se em suas folhas nas quais estavam escritas a história do feminino, passada e futura.¹ 

                                                          Luiz Fernando Carvalho.

Cena da Minisérie:

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Não sei quando começou a minha fascinação pela personagem mais enigmática da Literatura Brasileira. Mas me rendeu a compra de alguns livros de análise da obra. Esse trecho à cima está no meu preferido: Quem é Capitú?, um livro onde artistas e personalidades respondem à essa pergunta.  E provavelmente esse tema me renderá um Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade, rs.

Dom Casmurro foi publicado em 1900, embora a data da edição seja de 1899.  Embargada de ironia, pessimismo amargo a narrativa nos envolve com personagens demasiados controversos pra aquela época. Capitolina desde pequena se mostra consciente de si e do mundo, como demonstra o trecho em que ela decide que algo deve ser feito para que Bentinho não se torne Padre. E Bentinho é um menino frágil, que quando adulto não soube ser obedecido pela sua mulher. Machado usa capítulos curtos, talvez tenha usado isto para criar o nome não usual de Capitú = Capitolina. E diversas vezes conversa com seu leitor, costumeiramente pelo vocativo “Senhora”, já que os romances naquela época eram exclusivos às mulheres.

É apartir desta mistura incomum de características que Machado nos deixa com a seguinte questão: “Capitú traiu ou não traiu Bentinho?”

E esta questão é tão difícil quanto as do vestibular do ITA, meus queridos.

Toda mulher brasileira tem muito de Capitú. Ou Capitu de mulher brasileira, como queiram. Esse tempero começa com uma beleza não comum, mas marcante, e segue com o mistério e de certa forma magia que Ela e todas nós temos. Bentinho escolheu para esposa uma mulher Caliente, de olhar enganador, olhos de ressaca, dissimulada, tontinha, escondendo-se pelos cantos, enganadora de pai e mãe; quando o Ideal de mulher era a mulher doce, frágil e virginal. Bentinho foi criado sem pai, portanto vê não houve figura masculina chefe de família, posto que José Dias por mais que fosse figura masculina, não era venerado por Bentinho, e nem dispunha de poder algum sobre D. Glória.

Bentinho também não pode se dizer inocente. Em certo ponto, confessa ao leitor um momento de flerte com Sancha, mulher de Escobar e melhor amiga de Capitú. Mesmo que tenha posto a mão na consciência depois.

Bentinho permite que Capitú sinta todo o peso da decepção por não lhe dar um filho. Será que Escobar e Capitú não se uniram apenas em favor de Bentinho, que desejava um filho mais do que o bem estar psicológico de sua mulher?

E como dizer que Capitú é realmente culpada, se não conhecemos a versão dela, e somente de Bentinho, que com a idade que nos narra a história já pode estar com o juízo imperfeito e aumentando ponto ao contar o conto?

Mas como então explicar o fato de que Ezequiel é a figura escarrada de Escobar?

 

Deixo lhes com mais este mistério para ajuntar aos tantos deste mundo. Passe na Biblioteca e Boa Leitura!

 

¹Trecho retirado do caderno de anotações do diretor durante os ensaio para as gravações da minissérie “Capitú”.

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