~Roadie – A minha vida na estrada com o COLDPLAY

Roadie, de Matt McGinn, lançado pela Editora Larousse, é uma biografia às avessas, com olhos de quem é parte integrante da história.

Matt é roadie da banda Coldplay há oito anos. Desde então, contando de uma forma direta e clara, Mcginn nos mostra tudo dos backstage: produções de grandes shows, brigas, instrumentos, bares e muita energia.

Se quer saber o que acontece, exatamente, por trás das câmeras com uma das bandas mais conhecidas da atualidade, chegou a hora. E prepara-se para saber detalhes bem interessantes: “Ah, esperem um pouco. O pessoal da equipe do Coldplay, assim como a própria banda, não exatamente bebe leite achocolatado e joga damas depois dos shows. todos nós gostamos de um bom papo regado a cerveja e um pedaço de torta depois do trabalho (…) Apesar disso, o simples fato de nos renomearmos como “técnicos” não faz com que automaticamente nos transformemos em pessoas engomadinhas e agradáveis, certo? (…) A nossa linha de trabalho é – em um bom dia – especializado e profissional e, para mim, “Roadie de Guitarra de uma Gigantesca Banda de Rock’n’Roll” é a descrição de cargo mais sensacional do mundo.”

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~Ernest Hemingway

Em 1961, quando Ernest Hemingway se matou, com um tiro de carabina na boca, conservava guardados em suas gavetas os originais de outra história escrita na mesma época de O velho e o Mar(publicado em 1952, mas concebido durante suas longas temporadas de pescaria e descanso em Cuba e no arquipélago das Bahamas, entre 1940 e 1950). Esse livro só foi publicado em 1970, com o nome As Ilhas da Corrente, alusivo à corrente marítima de água quente que banha os trópicos da América do Norte. Neste romance, as ilhas da corrente são lugares de refúgio e pescarias – e são também os episódios cruciais da existência de um homem.

Ernest Hemingway nasceu em 1899, em Oak Park, Illinois, região rural dos EUA. Seu pai era um médico, de clientela pobre e rude. Apreciava os esportes, a caça e a pesca, e se suicidou em 1928. Hemingway nunca gostou da mãe, mulher ambiciosa e autoritária, que fracassou na carreira de cantora e queria a todo custo que o filho se tornasse músico. Hemingway detestava a escola secundária e aos 17 anos fugiu de casa. Foi morar em Kansas City, no coração do meio rural norte-americano, onde conseguiu um emprego como repórter de um jornal.

Em 1917, aos 18 Anos, alistou-se para participar da I Guerra Mundial. Acabou gravemente ferido, em 1918, na Itália, pela explosão de uma bomba. De volta aos EUA, casou-se, em 1920. Aos 22 anos, conseguiu o cargo de correspondente de um jornal canadense na Europa, fixando-se em Paris. De-lá enviou para os EUA os originais de seus dois primeiros livros: Três Histórias e Dez Poemas (1923) e In Our Time ( 1925, Em Nosso Tempo).

Na época em que Hemingway publicava seus primeiros contos e poemas, outros jovens artistas também moravam em Paris e, como ele, freqüentavam a escritora Gertrude Stein (1874-1946), que arrumava emprego e custeava edições a seus conterrâneos. Atenta ao desencanto da obra desses jovens, Gertrude Stein chamou-os de “Geração Perdida”.

Essa geração de americanos que viviam entre farras e depressão nos bares de Paris é o tema do primeiro romance de Hemingway: The Sun Also Rises (1926, O Sol Também se Levanta), obra que o tornou mundialmente famoso. É a história de um homem que um ferimento de guerra deixou impotente e que se torna expectador da vida sem sentido de seis amigos, estrangeiros em Paris. Os episódios misturam lances autobiográficos e ficção para falar da condição do intelectual em nosso tempo. Criou-se uma lenda em torno da impotência do próprio Hemingway, que na verdade exagerou um episódio de sua biografia: no acidente que sofreu em 1918, alguns estilhaços atingiram-lhe os testículos, ferimento de que ele logo se recuperou – mas Hemingway imaginou um personagem ao qual um acidente como esse tivesse provocado danos irreversíveis.

Em 1927, já casado com outra mulher, volta aos EUA, onde publica Men Without Women ( Homens sem Mulheres), livro de contos em que os personagens são homens em cuja vida a mulher não representa papel decisivo. Em 1928, ano do suicídio de seu pai, Hemingway volta para Paris, e no ano seguinte publica A Farewell to Arms (Adeus às Armas), sua obra-prima e um clássico do romance moderno. O tema é também fortemente autobiográfico: um jovem americano, voluntário na I Guerra Mundial, é gravemente ferido e se apaixona pela enfermeira que o trata no Hospital Militar. Ele deserta do Exército (“fazendo sua paz em separado”) e o casal foge, mas a mulher morre no parto, deixando-o “sozinho, na noite chuvosa”. Durante os anos 30, Hemingway já é um dos escritores mais bem pagos do mundo e torna-se uma lenda viva, com seu gosto pelo perigo e pelas caçadas. Viaja pelo mundo e tem especial predileção pela África – tema de seu romance The Green Hills Fo África (1935, As colinas Verdes da África), empolgante descrição das caçadas e aventuras – pela Espanha – país a que dedicou o livro Death in the Afternoon (1932, A Morte na Tarde), em que o espetáculo violento das touradas é mais um pretexto para o enfoque da morte, seu tema mais obsessivo.

Depois de passar algum tempo no pequeno porto de Key West, nos EUA, publica em1937, o romance To Have and Have Not ( Os Que Têm e Os Que Não Tem), história de um contrabandista e feroz crítica aos valores norte-americanos. Em 1938, participa da Guerra Civil Espanhola como correspondente e defensor da causa republicana. Nesse mesmo ano, publica The FifthColumn and the First Forty- Nine Stories ( A Quinta Coluna e as Pirmeiras 49 Histórias), considerado um dos mais importantes livros de contos da literatura moderna. A Espanha ferida pela ditadura franquista está presente nesse livro e será também tema do romance For Whom the Bells Tolls (1940, Por Quem os Sinos Dobram), história de um americano que se engaja na luta contra as forças franquistas e morre ao dinamitar uma ponte. O título do romance, citação do poeta inglês John Donne (“nunca perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”), já é uma advertência contra a apatia das pessoas, que não fazem nada diantes do avanço do totalitarismo do mundo.

Nos anos 40, Hemingway se estabelece em Cuba, casa duas vezes ( a última delas em 1946, com Mary Welsh, sua quarta mulher), faz várias viagens pelo mundo e participa da II Grande Guerra. Em 1950, publica o romance Across the River and into teh Trees ( Através do Rio e entre as Àrvores), história da paixão de um velho por uma adolescente. Em 1952traz à luz um original que havia escrito nos anos 40: He Old Man and The Sea (O Velho e O Mar), sobre as limitações do homem diante dos infortúnios da vida e da velhice. Em 1954, recebe o Prêmio Nobel de Literatura e, depois de novas viagens pelo mundo, fixa residência em Cuba, onde começa a Escrever seu último romance, A Moveable Feast (1964, Uma Fesata Permanente), com recordações da Paris dos Anos 20. Mas não viveria tempo suficiente para ver esse romance publicado: o alcoolismo e as freqüentes crises de depressão o levariam ao suicídio, em 1961. É a despedida de Hemingway, sempre a lembrar-nos de que a vida é uma batalha perdida – mas a luta é a nossa própria razão de existir.


“Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis”, assim é descrito Santiago. Alguns críticos de literatura contam que o personagem Santiago foi, na realidade, Gregorio Fuentes, que fora capitão do barco de Hemingway durante os 30anos que o escritor viveu em Cuba. Conheceram-se em 1928 e, dois anos depois, Hemingway contratou o pescador para ser cozinheiro e capitão do seu barco “Pilar”. Antes de regressar aos Estados Unidos, em 1960, o escritor teria dito ao amigo: “toma conta de ti, como sempre soubeste fazer”. Visto como atração turística em Cuba após o lançamento do livro, Fuentes decidiu doar o barco ao governo cubano após o suicídio do escritor, em 1961. Ele está exposto em frente à casa onde Hemingway viveu, perto de Havana.

Dois anos após a publicação desse livro, que se tornou um clássico da literatura contemporânea, Hemingway recebeu o prêmio Nobel de Literatura.

Fontes:

Biografia Ernest Hemingway presente no livro As Ilhas da Corrente;

http://www.comciencia.br/resenhas/litoral/velho.htm

Novembro 2017
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