Jukebox – The Long And Winding Road – The Beatles

E aí, pessoal? Prontos para mais uma dica musical do nosso jukebox?? A música de hoje é uma daquelas que faz parte do meu Top 10 de melhores músicas de todos os tempos! Lembrando sempre que qualquer opinião aqui expressa é  apenas um reflexo do meu gosto musical e portanto não deve ser encarada como uma verdade absoluta ou um mandamento escrito na pedra. Sem mais rodeios e flores, minha indicação da semana é a balada “The Long And Winding Road” presente no disco Let It Be, último disco gravado pelos Beatles como conjunto de fato.

Gravado entre janeiro de 1969 e março/abril de 1970, o álbum foi somente lançado em 8 de maio de 1970, após o disco Abbey Road (último disco gravado) e juntamente com o documentário com o mesmo nome. Inicialmente estava previsto chamar-se Get Back.

A ideia inicial era a de criar um disco honesto e de volta às raízes, o mentor do projeto Get Back, mais tarde Let it Be foi de Paul McCartney que descontente com as constantes brigas entre os integrantes tentava criar um ambiente amistoso, mas naquele ponto isso foi impossível. A vulcão adormecido dentro do grupo começava a dar sinais de que ía despertar e não havia mais nada que qualquer um deles pudesse fazer a respeito.

The Long And Winding Road, a canção da semana, foi o único single do disco, mas algumas outras canções como Across The Universe e a homônima Let It Be tornaram-se famosas. A música fala sobre esperar numa longa e sinuosa estrada… que leva a um lugar muito conhecido e como todas as estradas sempre levarão a um mesmo lugar mesmo havendo tristeza, mágoa, rancor no caminho. É sobre o amor que redime tudo e que encontra o caminho de volta. Uma belíssima balada romântica que até hoje é presente no repertório das turnês do Sir Paul McCartney. É uma música de catarse, como todas as que eu postarei aqui no Jukebox. Músicas de catarse são essas que dão a impressão de “lavar a alma” e trazer uma emoção muito forte a tona sempre que as ouvimos.

McCartney afirma que escreveu a canção tendo em vista as tensões dentro da banda e que simplesmente sentou-se em seu piano em sua fazendo na Escócia e imaginou como seria alguém como Ray Charles compondo uma canção e tentou “compor” como ele imaginou que o mesmo faria. Para Paul a beleza e calmaria da Escócia era inspiradora em suas sessões de composição. Embora até o fim da banda em 1971, os Beatles tenham assinado grande parte de suas canções como Lennon/McCartney, nem sempre a dupla escrevia junta. É bem provável que apenas no começo da carreira eles tenham de fato escrito seus sucessos juntos, com o tempo John e Paul cresceram e começaram a competir entre si, o que gerou grande sucessos como Eleanor Rigby e Nowhere Man, mas que também lançou a semente que seria um dos fatores determinantes para o fim de uma das maiores bandas que já existiu. No caso de The Long And Winding Road, tanto a melodia quanto a letra é toda McCartney e no que ele faz de melhor. Conhecido por ser o beatle mais relações-públicas e carismático e também por seu constante charme e otimismo não é de se estranhar que essa música em particular tenha gerado um certo estranhamento. Melancólica, nostálgica e chorosa são definições que nos aproximam do que a canção pode transmitir.

Paul imaginava uma música em atmosfera simples, clean… Mas acabou se decepcionando com a roupagem que o maestro Phill Spector deu a sua obra. O maestro incluiu um quarteto de cordas, deixando- a mais grandiosa e apoteótica. Eu, particularmente gosto da versão de Spector, mas deixo-a aqui para vocês tirarem suas próprias conclusões:

Ele não gostou do produto final dessa música, odiou o fato de “terem mexido em sua música sem seu consentimento” e pediu para “refazerem a música”, tendo seu pedido negado, possivelmente criando a ruptura final entre eles. Só em 2003 quando lançou Let it Be… Naked, fez a versão do seu gosto, tirando os overdubs do Spector e tornando a canção mais intimista, como um verdadeiro canto do cisne do que foi todo o trabalho dos Beatles ao longo dos anos. Apesar do “ódio” que McCartney expressava diante a versão de Spector, é possível que não tenha sido “tudo isso”, uma vez que até hoje Sir Paul ainda inclua a versão original do de 1970 em seus shows em vez de sua própria versão de 2003. Talvez o baixista só tenha ficado bravo por não ter sido consultado sobre mudanças na sua própria canção.

Versão presente no álbum “Let it Be Naked” de 2003:

Uma versão que eu aprecio bastante, fez parte da homenagem “Submarino Verde e Amarelo” com canções do Fab4 interpretadas por artistas tupinquins. Abaixo uma linda rendição da canção da semana interpretada por Zizi Possi:

Pra quem gosta de uma teoria de conspiração (eu, particularmente adoro), eu não poderia deixar de declarar aqui a minha crença na ideia de que essa canção, assim como muitas outras, foi dedicada ao John. E quando eu digo isso, eu não estou me referindo apenas a amizade. Era explícito o elo de amizade entre os dois compositores que se conheciam desde a adolescência. Paul ensinou John a compor, nada seria mais natural para ambos do que se comunicar através de sua músicas, a linguagem que eles dominavam mais, o que os unia. Também é sabido que o relacionamento entre eles era bastante conturbado, principalmente no período de produção desse álbum, por conta da presença de Yoko Ono (mulher de Lennon) e Linda McCartney (mulher de Paul). Um fato curioso é que John e Yoko casaram-se exatamente uma semana depois de Paul ter trocados alianças em sigilo com Linda. Ciúmes? Posse? Amor? Ligação? Não vou colocar na caraminholas na cabeça de ninguém, até porque já as tenho o suficiente pra mim. Cheguei a fazer um dossiê de evidências de um possível relacionamento além amizade entre Lennon e McCartney, nele incluo trechos de biografias, reportagens, letras de canções minunciosamente analisadas (a nossa canção da semana é uma delas) e outras coisas. Não estou induzindo ninguém a acreditar nisso, entendo que pra alguns isso seja um baita motivo pra polêmica e farofagem. Mesmo existindo muitas pessoas que acredita na mesma teoria que eu, ela não deixa de ser uma teoria que pode muito bem ser verdadeira ou não. Não sou a Geni, então não me atirem pedras! Independente da natureza do relacionamento entre esses dois compositores incríveis, foi desse relacionamento que nasceram canções que nos embalam até hoje e foi por existirem longas e sinuosas estradas a se percorrer que hoje nós podemos ter acesso às canções de tanta beleza. E como todas estradas nos levam de volta às mesmas portas e o amor é antigo e novo ao mesmo tempo, não posso deixar de amar ao amor quando eu olho pra uma foto como a desses dois e penso que realmente o sonho não acabou, mesmo que esteja perdido numa dessas estradas.

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