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Jukebox – It’s All Coming Back To Me Now (Celine Dion)

Fui convocada pra realizar uma coluna sobre música aqui, mais especificamente uma espécie de “Jukebox” de indicações musicais. Não sou uma exímia conhecedora de música e nem pretendo ser, por isso mesmo já espero receber críticas e ovadas na cara por certas indicações, mas pretendo manter a coisa “pessoal”, o que quer dizer que estou aberta ao fato de discordarem do meu gosto musical. Ok, pessoal, pra começar nada melhor do que lançar um tapete vermelho, subir o lustre e ligar os holofotes, pra dar passagem a uma das maiores divas da música pop: Celine Dion.
Você deve pensar “AFF, CELINE É ULTRAPASSADA, SÓ TOCOU AQUELE HIT DE TITANIC”, pois bem, caro amiguinho cyber-argonauta, ultrapassado e burro é você! Quem pensa que a única música (de alta qualidade por sinal) da Celine é “My Heart Will Go On” pode começar a dobrar a língua, embora essa canção seja considerado seu masterpiece, venho aqui justamente pra mostrar uma outra canção da diva que acaba ficando na sombra da famigerada música da Rose.
A canção que dá o ponta pé a este multi-étnico e psicodélico jukebox é “It’s All Coming Back To Me Now”. Primeiro devo citar que essa música foi escrita por Jim Steinman que é notavelmente conhecido por ter escrito músicas para Meat Loaf e Bonnie Tyler (turn around, bright eyeeees) e foi inspirada em “O Morro dos Ventos Uivantes”, novela do século XIX, escrita pela tão brilhante quanto provinciana Emily Brontë.

O clássico da literatura inglesa já influenciou muito da cultura moderna, sendo citado como referência até mesmo nos atuais livros da bem sucedida Saga Crepúsculo (Sim, é o livro favorito da Bela Swan). As meninas que leem a saga de Meyer podem entretanto ter uma forte decepção com a leitura da obra mencionada. Apesar da temática envolver um romance proíbido, o tempero de Brontë é muito mais forte, sobrenatural e atormentador do que o do açucarado livro que protagoniza o vampiro-pisca-pisca Edward. E é nessa atmosfera romântica, devastadora, sensual e sombria que a canção surge. Steinman comparou a canção a “Imagem de Heathcliff dançando com o cadáver de Cathy sob o luar” e também declarou que a canção fala sobre obsessão e que não é apenas o amor retornando, mas sim o terror completo e a perda de controle. Inicialmente “It’s All Coming Back To Me Now” era pra ser gravada por Meat Loaf, mas logo perceberam que aquela música tinha que ser de Celine Dion, mesmo porque o autor a associava a uma mulher. Dion lançou a balada em seu álbum “Falling Into You” em 29 de julho de 1996 e sua versão alcançou a segundo lugar na Billboard Hot 100 e terceiro lugar na UK Singles Charts.

Minha opinião pessoal? Trata-se de uma balada poderosa sobre a perda e a volta de um amor. Um amor que nunca foi embora na verdade e que sempre reaparece como uma maldição, assombrando, tirando a paz e o sono. Através de um som, um toque, uma memória. Os acordes arrebatadores e as notas altíssimas se bem interpretadas nos levam a uma epifania emocional, onde letra e melodia se unem para reviver uma das maiores estórias de amor da literatura mas que vive acontecendo por aí, o tempo todo. Vai dizer que você nunca teve um desses amores que parecem fantasmas arrastando correntes? Eu duvido muito.
Aproveitem o videoclipe oficial de “It’s All Coming Back To Me Now”:

… E também o belíssimo cover feito por Lea Michele (que interpreta a personagem Rachel Berry no seriado Glee):

PS: O “New Directions” ganhou a competição nacional de Corais em Chicago com um medley contendo essa música no episódio Nationals (3×21) de Glee. E um segredo bobo é que eu descobri que essa canção era inspirada no meu livro favorito por causa de Glee. That’s all folks!

~O revolucionário – Hemingway

         Em 1919 ELE viajava pelas ferrovias da Itália, carregando um quadrado de oleado do quartel-general do partido, escrito em lápis indelével e dizendo que o camarada havia sofrido um bocado na mão dos Brancos em Budapeste e pedido aos camaradas que o ajudassem no possível. Usava o oleado em vez de passagem. Era muito tímido e bastante jovem, e os ferroviários passavam-no de uma turma para outra. Não tinha dinheiro, e eles o alimentavam por trás do balcão nos restaurantes das estações.
        Ficou espantado com a Itália. Era um belo país, dizia ele. As pessoas eram todas bondosas. Estivera em muitas cidades, muito caminhara, e vira muitos quadros. Comprou reproduções de Giotto, Mesaccio e Pierro della Francesca e as carregava embrulhadas em um exemplar do ‘Avanti’. Não gostou de Mantegna.
        Apresentou-se em Bolonha, e eu o levei comigo até Romagna, onde precisava ver um homem. Fizeram juntos uma boa viagem. Estávamos no início de setembro, e o campo era muito agradável. Ele era um magiar, um rapaz muito agradável e muito tímido. Os homens de Horthy haviam feito certas coisas perversas com ele. Falou um pouco delas. A despeito da Hungria, acreditava completamente na revolução mundial.
        – E como vai indo o movimento na Itália? – perguntou.
        – Muito mal – respondi.
       – Mas vai melhorar – disse ele. – Vocês têm tudo aqui. É o único país de que todos podem ter certeza. Será o ponto de partida de tudo.
         Eu disse.
        Em Bolonha, dissemos adeus e ele tomou o trem para Milão, de onde seguiria para Aorta e atravessaria a pé as montanhas até a Suíça. Falei com ele a respeito dos Montegnas em Milão.
       – Não – disse ele, muito timidamente, não gostava de Mantegna. Escrevi-lhe indicando onde comer em Milão e os endereços dos camaradas. Agradeceu muito, mas seu pensamento já se voltava para a travessia das montanhas. Estava muito ansioso em atravessar enquanto o tempo era bom. Adorava as montanhas no outono. A última coisa que soube dele foi que os suíços o tinham na cadeia perto de Sion.
                                                                                             Ernest Hemingway

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